EM RESUMO

O laudo psicológico tem 6 itens obrigatórios pela Resolução CFP nº 6/2019: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências. Veja o que cada um deve conter, as regras de entrega e guarda e os erros mais comuns.

Neste artigo 6 seções
  1. O que é o laudo psicológico, segundo a resolução
  2. Os 6 itens obrigatórios do laudo
  3. Linguagem, validade, entrega e guarda
  4. Erros mais comuns no laudo
  5. Para aprender o processo completo
  6. Fontes
Aline Vicente escrevendo em sua mesa, ao lado do título: Laudo neuropsicológico

O laudo é o documento que fecha a avaliação neuropsicológica, e é também onde aparecem muitas dúvidas: o que é obrigatório, em que ordem, o que pode ou não ser escrito, como entregar. A boa notícia é que a resposta está organizada em uma norma só: a Resolução CFP nº 6/2019.

Neste artigo, explico os 6 itens que a resolução exige no laudo psicológico, o que cada um deve conter, as regras de entrega, validade e guarda, e os erros que mais aparecem na prática. O laudo neuropsicológico segue essas mesmas regras, porque é um laudo psicológico resultante de uma avaliação neuropsicológica.

Em resumo

Pelo art. 13 da Resolução CFP nº 6/2019, o laudo psicológico é composto de 6 itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências. Ele deve ser escrito na terceira pessoa, entregue em entrevista devolutiva, com protocolo de entrega assinado, e guardado, junto com o material que o fundamentou, por no mínimo 5 anos.

O que é o laudo psicológico, segundo a resolução

A Resolução CFP nº 6/2019 define o laudo como o resultado de um processo de avaliação psicológica, com a finalidade de subsidiar decisões relacionadas ao contexto em que surgiu a demanda. Ele se limita às informações necessárias e relacionadas à demanda, e pode relatar encaminhamentos, intervenções, diagnóstico, prognóstico, hipótese diagnóstica, evolução do caso, orientação e sugestão de projeto terapêutico.

É diferente do relatório, que comunica a atuação profissional e não tem como finalidade produzir diagnóstico psicológico, e do parecer, que responde a uma questão-problema ou a um documento questionado. Saber qual documento a situação pede é o primeiro passo.

Os 6 itens obrigatórios do laudo

1. Identificação

Deve trazer o título "Laudo Psicológico", o nome completo ou nome social da pessoa atendida, o nome de quem solicitou o documento (o próprio usuário, o Judiciário, uma escola, uma empresa, outro profissional), a finalidade, ou seja, o motivo do pedido, e o nome completo da psicóloga autora, com a inscrição no CRP.

2. Descrição da demanda

Aqui você descreve o que motivou a busca pela avaliação, quem forneceu as informações e quais demandas levaram ao pedido do documento. A resolução chama esse item de requisito indispensável, porque é ele que justifica os procedimentos escolhidos. Na avaliação neuropsicológica, é onde aparece a pergunta clínica: o que se quer compreender sobre o funcionamento cognitivo e por quê.

3. Procedimento

Apresenta o raciocínio técnico-científico que justifica o processo realizado e os recursos usados, com o referencial teórico-metodológico. Devem constar as pessoas ouvidas, o número de encontros e o tempo de duração do processo. Os procedimentos precisam ser pertinentes à complexidade da demanda.

A Resolução nº 6/2019 remete, neste ponto, à Resolução CFP nº 9/2018, que foi revogada pela Resolução CFP nº 31/2022. Hoje, portanto, a referência para os métodos da avaliação é a 31/2022, que define as fontes fundamentais de informação: testes aprovados pelo CFP, entrevistas e anamneses e protocolos de observação.

4. Análise

É a exposição descritiva, metódica e objetiva dos dados colhidos, coerente com a demanda, considerando que o objeto de estudo é dinâmico e não definitivo. A resolução orienta não incluir descrições literais das sessões, salvo quando tecnicamente justificado, relatar apenas o necessário para responder à demanda e não fazer afirmações sem sustentação em fatos ou teorias.

Na avaliação neuropsicológica, é aqui que os resultados dos testes ganham sentido: integrados à história, às observações e às informações de outras fontes, e não apresentados como uma lista solta de números.

5. Conclusão

Descreve as conclusões a partir do que foi relatado na análise: encaminhamentos e intervenções, diagnóstico, prognóstico, hipótese diagnóstica, evolução do caso, orientação ou sugestão de projeto terapêutico. O documento termina com local, data de emissão e carimbo com o nome completo e a inscrição profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima e assinatura na última.

6. Referências

No laudo, é obrigatório informar as fontes científicas ou referências bibliográficas usadas, preferencialmente em nota de rodapé. É um item que muita gente esquece.

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Linguagem, validade, entrega e guarda

  • Linguagem: os documentos devem ser escritos de forma impessoal, na terceira pessoa, com coerência entre os itens.
  • Validade: o prazo de validade do conteúdo deve ser indicado no último parágrafo, considerando a natureza dinâmica do que foi avaliado.
  • Entrevista devolutiva: para entregar laudo e relatório, é dever realizar ao menos uma entrevista devolutiva. Se ela não puder acontecer, as razões precisam ser explicitadas.
  • Protocolo de entrega: é obrigatório manter protocolo com a assinatura de quem recebeu o documento.
  • Guarda: o laudo e todo o material que o fundamentou, físico ou digital, devem ser guardados por no mínimo 5 anos.

Na avaliação online, a devolutiva pode acontecer por videochamada, e o documento costuma ser entregue em formato digital. O Manual Orientativo do CFP, de 2025, lembra que isso exige conhecer a validade jurídica dos documentos on-line e as possibilidades de assinatura eletrônica, além de cuidar da segurança no envio.

Erros mais comuns no laudo

  • Usar o título errado, como "relatório" para um documento que resulta de avaliação, ou o contrário.
  • Descrição da demanda genérica, que não justifica os testes escolhidos.
  • Procedimento que só lista testes, sem número de encontros, duração, pessoas ouvidas e raciocínio da escolha.
  • Análise como lista de escores, sem integração com a história e as observações.
  • Conclusão que traz informações que não aparecem na análise.
  • Esquecer as referências, o prazo de validade ou a rubrica nas laudas.
  • Enviar o laudo por e-mail sem devolutiva e sem protocolo de entrega.

Para aprender o processo completo

O laudo é o fim de um caminho que começa no primeiro contato. Escrevi um guia sobre esse caminho inteiro: como fazer avaliação neuropsicológica online, do primeiro contato ao laudo.

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Fontes

  1. Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 6, de 29 de março de 2019. Institui regras para a elaboração de documentos escritos produzidos pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional. Texto da resolução (PDF).
  2. Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31, de 15 de dezembro de 2022. Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica, regulamenta o SATEPSI e revoga a Resolução CFP nº 9/2018. Notícia do CFP.
  3. Conselho Federal de Psicologia. Manual orientativo de registro e elaboração de documentos psicológicos. 1. ed. Brasília: CFP, 2025. site.cfp.org.br (PDF).

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Retrato de Aline Vicente
SOBRE QUEM ESCREVEAline Vicente

Psicóloga e neuropsicóloga, CRP 12/20020. Especialista em Neuropsicologia pelo CFP, sócia fundadora da Clínica PsicoVivendo e criadora do RastreioNeuro.

Publicado em 23 de outubro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual com um profissional de saúde.