PONTOS PRINCIPAIS
  • Transtornos neurocognitivos envolvem declínio em memória, atenção, linguagem ou funções executivas, com impacto na autonomia.
  • O DSM-5-TR os divide em leves e maiores, conforme o grau de prejuízo.
  • Na causa vascular, lesões como AVCs e microangiopatias afetam principalmente atenção e funções executivas.
  • O controle de fatores de risco, como hipertensão e diabetes, é central para estabilizar o quadro.
Neste artigo 13 seções
  1. O Que São Transtornos Neurocognitivos?
  2. Transtorno Neurocognitivo Vascular: Quando a Circulação Sanguínea Afeta o Cérebro
  3. Sintomas Característicos
  4. Caso Clínico (Exemplo Ilustrativo): O Sr. Carlos
  5. Avaliação Neuropsicológica
  6. Neuroimagem
  7. Diagnóstico Final
  8. Por Que o Diagnóstico Diferencial É Crucial?
  9. Tratamento e Perspectivas
  10. Mensagem Final
  11. Sinais de alerta
  12. Prevenção
  13. Perguntas frequentes

Por Aline Vicente, Neuropsicóloga

Entendendo os Transtornos Neurocognitivos: Foco na Etiologia Vascular

Como neuropsicóloga, acompanho diariamente como alterações cognitivas impactam vidas. Hoje, quero abordar os Transtornos Neurocognitivos (TNCs), conforme o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), com ênfase em uma causa frequente: a etiologia vascular. Vou compartilhar também um caso clínico (com dados alterados para preservar identidade) que ilustra essa condição.

O Que São Transtornos Neurocognitivos?

Os TNCs envolvem declínio significativo em funções cognitivas como memória, atenção, linguagem ou funções executivas, interferindo na autonomia do indivíduo. O DSM-5-TR classifica-os em maiores (comprometimento severo) e leves (sintomas mais sutis), e os divide por etiologia:

  1. Doença de Alzheimer
  2. Degeneração Frontotemporal
  3. Corpos de Lewy
  4. Doença Vascular
  5. Traumatismo Craniano
  6. Induzidos por Substâncias/Medicações
  7. Infecção por HIV
  8. Doença Priônica
  9. Doença de Parkinson
  10. Doença de Huntington
  11. Outras Condições Médicas
  12. Múltiplas Etiologias

Transtorno Neurocognitivo Vascular: Quando a Circulação Sanguínea Afeta o Cérebro

Este tipo de TNC resulta de lesões cerebrovasculares, como AVCs, microangiopatias ou isquemias crônicas. Diferentemente do Alzheimer (progressão lenta), o declínio costuma ser abrupto ou escalonado, acompanhando eventos vasculares.

Sintomas Característicos:

  • Comprometimento de atenção complexa (dificuldade em multitarefas).
  • Funções executivas prejudicadas (planejamento, organização).
  • Alterações de memória (dificuldade em consolidar novas informações).
  • Possível associação com sintomas depressivos ou apatia.

Caso Clínico (Exemplo Ilustrativo): O Sr. Carlos

Dados alterados para confidencialidade.

O Sr. Carlos, 58 anos, com ensino fundamental incompleto e histórico de hipertensão, foi encaminhado após dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). Suas queixas incluíam:

  • Esquecimentos frequentes (perdia objetos, esquecia compromissos).
  • Dificuldade em trabalhar (não conseguia organizar tarefas no restaurante onde era auxiliar).
  • Desorientação espacial (perdia-se em locais conhecidos).
  • Sintomas depressivos (apatia, choro fácil).

Avaliação Neuropsicológica:

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  • Atenção: Desempenho muito inferior em testes de atenção concentrada, dividida e alternada (BPA e FDT).
  • Memória: Comprometimento severo em memória auditiva (RAVLT) e visual (TEPIC-M2), com dificuldade de evocação mesmo com pistas.
  • Funções Executivas: Planejamento extremamente prejudicado (TOL-BR no percentil 2), além de rigidez cognitiva e lentidão.
  • Emocional: Escore elevado no BDI-II, indicando depressão moderada a grave.

Neuroimagem:

Ressonância magnética evidenciou áreas de gliose e alterações isquêmicas crônicas compatíveis com microangiopatia, reforçando a hipótese vascular.

Diagnóstico Final:

  • Transtorno Neurocognitivo Maior devido a Doença Vascular (CID-11: 6D81.2 / DSM-5-TR: F01.50).
  • Transtorno Depressivo Recorrente (comórbido).

Por Que o Diagnóstico Diferencial É Crucial?

No caso do Sr. Carlos, a depressão agravava os sintomas, mas não explicava a magnitude dos déficits. O histórico de AVCs e as lesões visíveis em neuroimagem foram determinantes para confirmar a etiologia vascular. Isso direcionou o tratamento:

  • Neurologista: Controle de riscos vasculares (pressão arterial, diabetes).
  • Psiquiatria: Medicação para depressão e estabilização do humor.
  • Neuropsicologia: Reabilitação cognitiva para estratégias compensatórias.

Tratamento e Perspectivas

O TNC vascular não tem cura, mas pode ser estabilizado com:

  1. Prevenção secundária: Controle rigoroso de fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo).
  2. Medicação: Inibidores de colinesterase podem ajudar em alguns casos.
  3. Reabilitação Cognitiva: Treino de memória, atenção e funções executivas.
  4. Suporte Emocional: Psicoterapia para lidar com perdas cognitivas e depressão.

Mensagem Final

Transtornos neurocognitivos são mais que "perdas de memória". São condições complexas que exigem diagnóstico preciso e abordagem multidisciplinar. O caso do Sr. Carlos mostra como a etiologia vascular exige atenção redobrada: cada AVC é um golpe na cognição.

Se você ou alguém próximo apresenta declínio cognitivo súbito após eventos vasculares, busque avaliação especializada. Quanto antes identificarmos a causa, melhor poderemos preservar a autonomia e a qualidade de vida.

Aline Vicente Neuropsicóloga | CRP 12/20020

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Referências: DSM-5-TR (APA, 2023); CID-11 (OMS). Caso clínico com dados fictícios baseado em experiências reais.

Sinais de alerta

  • Lentidão para pensar e para realizar tarefas que antes eram simples.
  • Dificuldade para planejar, organizar e fazer várias coisas ao mesmo tempo.
  • Mudanças de humor, apatia ou depressão depois de um AVC.
  • Piora em degraus, com períodos de estabilidade e quedas repentinas.
  • Alterações de marcha e equilíbrio.

Diante desses sinais, a avaliação médica (neurologia ou geriatria) com exames de imagem é indispensável. A avaliação neuropsicológica mapeia o perfil cognitivo, ajuda no diagnóstico diferencial com Alzheimer e depressão e cria uma linha de base para acompanhar a evolução.

Prevenção

Boa parte dos fatores de risco para o comprometimento cognitivo vascular pode ser modificada: controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar, manter atividade física regular, cuidar do sono e manter-se ativo intelectual e socialmente. Cuidar do coração é também cuidar do cérebro.

Perguntas frequentes

O que é transtorno neurocognitivo vascular?

É o declínio cognitivo causado por lesões nos vasos que irrigam o cérebro, como AVCs e microangiopatias. Afeta principalmente atenção, velocidade de processamento e funções executivas.

Qual a diferença entre transtorno neurocognitivo leve e maior?

No leve, há declínio perceptível, mas a pessoa mantém a independência nas atividades do dia a dia. No maior, o declínio interfere na autonomia.

Demência vascular tem tratamento?

Não tem cura, mas pode ser estabilizada com o controle dos fatores de risco, reabilitação e acompanhamento médico e multiprofissional.

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Retrato de Aline Vicente
SOBRE QUEM ESCREVEAline Vicente

Psicóloga e neuropsicóloga, CRP 12/20020. Especialista em Neuropsicologia pelo CFP, sócia fundadora da Clínica PsicoVivendo e criadora do RastreioNeuro.

Publicado em 3 de junho de 2025. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual com um profissional de saúde.