- Transtornos neurocognitivos envolvem declínio em memória, atenção, linguagem ou funções executivas, com impacto na autonomia.
- O DSM-5-TR os divide em leves e maiores, conforme o grau de prejuízo.
- Na causa vascular, lesões como AVCs e microangiopatias afetam principalmente atenção e funções executivas.
- O controle de fatores de risco, como hipertensão e diabetes, é central para estabilizar o quadro.
Neste artigo 13 seções
- O Que São Transtornos Neurocognitivos?
- Transtorno Neurocognitivo Vascular: Quando a Circulação Sanguínea Afeta o Cérebro
- Sintomas Característicos
- Caso Clínico (Exemplo Ilustrativo): O Sr. Carlos
- Avaliação Neuropsicológica
- Neuroimagem
- Diagnóstico Final
- Por Que o Diagnóstico Diferencial É Crucial?
- Tratamento e Perspectivas
- Mensagem Final
- Sinais de alerta
- Prevenção
- Perguntas frequentes
Por Aline Vicente, Neuropsicóloga

Como neuropsicóloga, acompanho diariamente como alterações cognitivas impactam vidas. Hoje, quero abordar os Transtornos Neurocognitivos (TNCs), conforme o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), com ênfase em uma causa frequente: a etiologia vascular. Vou compartilhar também um caso clínico (com dados alterados para preservar identidade) que ilustra essa condição.
O Que São Transtornos Neurocognitivos?
Os TNCs envolvem declínio significativo em funções cognitivas como memória, atenção, linguagem ou funções executivas, interferindo na autonomia do indivíduo. O DSM-5-TR classifica-os em maiores (comprometimento severo) e leves (sintomas mais sutis), e os divide por etiologia:
- Doença de Alzheimer
- Degeneração Frontotemporal
- Corpos de Lewy
- Doença Vascular
- Traumatismo Craniano
- Induzidos por Substâncias/Medicações
- Infecção por HIV
- Doença Priônica
- Doença de Parkinson
- Doença de Huntington
- Outras Condições Médicas
- Múltiplas Etiologias
Transtorno Neurocognitivo Vascular: Quando a Circulação Sanguínea Afeta o Cérebro
Este tipo de TNC resulta de lesões cerebrovasculares, como AVCs, microangiopatias ou isquemias crônicas. Diferentemente do Alzheimer (progressão lenta), o declínio costuma ser abrupto ou escalonado, acompanhando eventos vasculares.
Sintomas Característicos:
- Comprometimento de atenção complexa (dificuldade em multitarefas).
- Funções executivas prejudicadas (planejamento, organização).
- Alterações de memória (dificuldade em consolidar novas informações).
- Possível associação com sintomas depressivos ou apatia.
Caso Clínico (Exemplo Ilustrativo): O Sr. Carlos
Dados alterados para confidencialidade.
O Sr. Carlos, 58 anos, com ensino fundamental incompleto e histórico de hipertensão, foi encaminhado após dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). Suas queixas incluíam:
- Esquecimentos frequentes (perdia objetos, esquecia compromissos).
- Dificuldade em trabalhar (não conseguia organizar tarefas no restaurante onde era auxiliar).
- Desorientação espacial (perdia-se em locais conhecidos).
- Sintomas depressivos (apatia, choro fácil).
Avaliação Neuropsicológica:
Faço avaliação neuropsicológica de adultos, online no Brasil e no exterior e presencial em Penha/SC. Uma mensagem basta para começar.
- Atenção: Desempenho muito inferior em testes de atenção concentrada, dividida e alternada (BPA e FDT).
- Memória: Comprometimento severo em memória auditiva (RAVLT) e visual (TEPIC-M2), com dificuldade de evocação mesmo com pistas.
- Funções Executivas: Planejamento extremamente prejudicado (TOL-BR no percentil 2), além de rigidez cognitiva e lentidão.
- Emocional: Escore elevado no BDI-II, indicando depressão moderada a grave.
Neuroimagem:
Ressonância magnética evidenciou áreas de gliose e alterações isquêmicas crônicas compatíveis com microangiopatia, reforçando a hipótese vascular.
Diagnóstico Final:
- Transtorno Neurocognitivo Maior devido a Doença Vascular (CID-11: 6D81.2 / DSM-5-TR: F01.50).
- Transtorno Depressivo Recorrente (comórbido).
Por Que o Diagnóstico Diferencial É Crucial?
No caso do Sr. Carlos, a depressão agravava os sintomas, mas não explicava a magnitude dos déficits. O histórico de AVCs e as lesões visíveis em neuroimagem foram determinantes para confirmar a etiologia vascular. Isso direcionou o tratamento:
- Neurologista: Controle de riscos vasculares (pressão arterial, diabetes).
- Psiquiatria: Medicação para depressão e estabilização do humor.
- Neuropsicologia: Reabilitação cognitiva para estratégias compensatórias.
Tratamento e Perspectivas
O TNC vascular não tem cura, mas pode ser estabilizado com:
- Prevenção secundária: Controle rigoroso de fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo).
- Medicação: Inibidores de colinesterase podem ajudar em alguns casos.
- Reabilitação Cognitiva: Treino de memória, atenção e funções executivas.
- Suporte Emocional: Psicoterapia para lidar com perdas cognitivas e depressão.
Mensagem Final
Transtornos neurocognitivos são mais que "perdas de memória". São condições complexas que exigem diagnóstico preciso e abordagem multidisciplinar. O caso do Sr. Carlos mostra como a etiologia vascular exige atenção redobrada: cada AVC é um golpe na cognição.
Se você ou alguém próximo apresenta declínio cognitivo súbito após eventos vasculares, busque avaliação especializada. Quanto antes identificarmos a causa, melhor poderemos preservar a autonomia e a qualidade de vida.
Aline Vicente Neuropsicóloga | CRP 12/20020
📧 contato@neuropsicologaalinevicente.com.br
📱+55 (47) 3240-0805
Referências: DSM-5-TR (APA, 2023); CID-11 (OMS). Caso clínico com dados fictícios baseado em experiências reais.
Sinais de alerta
- Lentidão para pensar e para realizar tarefas que antes eram simples.
- Dificuldade para planejar, organizar e fazer várias coisas ao mesmo tempo.
- Mudanças de humor, apatia ou depressão depois de um AVC.
- Piora em degraus, com períodos de estabilidade e quedas repentinas.
- Alterações de marcha e equilíbrio.
Diante desses sinais, a avaliação médica (neurologia ou geriatria) com exames de imagem é indispensável. A avaliação neuropsicológica mapeia o perfil cognitivo, ajuda no diagnóstico diferencial com Alzheimer e depressão e cria uma linha de base para acompanhar a evolução.
Prevenção
Boa parte dos fatores de risco para o comprometimento cognitivo vascular pode ser modificada: controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar, manter atividade física regular, cuidar do sono e manter-se ativo intelectual e socialmente. Cuidar do coração é também cuidar do cérebro.
Perguntas frequentes
O que é transtorno neurocognitivo vascular?
É o declínio cognitivo causado por lesões nos vasos que irrigam o cérebro, como AVCs e microangiopatias. Afeta principalmente atenção, velocidade de processamento e funções executivas.
Qual a diferença entre transtorno neurocognitivo leve e maior?
No leve, há declínio perceptível, mas a pessoa mantém a independência nas atividades do dia a dia. No maior, o declínio interfere na autonomia.
Demência vascular tem tratamento?
Não tem cura, mas pode ser estabilizada com o controle dos fatores de risco, reabilitação e acompanhamento médico e multiprofissional.
Faço avaliação neuropsicológica de adultos, online no Brasil e no exterior e presencial em Penha/SC. Uma mensagem basta para começar.

